Podem ficar tranquilos, a gravidez não afetou a minha mente. Eu continuo AMANDO os meus queridos livros. Mas nem por isso o assunto deixa de ser um pouco irritante. Eu explico.
Quando a pessoa é alucinada por leitura, como eu, costuma procurar lançamentos nas livrarias pelo menos uma vez por semana (a quem estou tentando enganar? Eu vou pelo menos umas três vezes à procura de novidade), e nem sempre temos sucesso.
É uma frustração muito grande não encontrar nada que valha a pena ser lido. Eu me sinto como uma viciada tentando comprar drogas na favela do alemão, ou seja, saio de mãos abanando. Na maioria das vezes.
Pior do que esperar um livro novinho em folha de um autor predileto, é acompanhar alguma "série", estilo Crepúsculo. Aí é uma danação só. Juro que algumas vezes eu perco até o sono. Hoje em dia estou mais escolada e só começo a ler livros de séries depois que uns 2 ou 3 já foram publicados.
Mais chato ainda é perceber que aquele autor querido possui vários títulos publicados no exterior que nunca serão publicados por aqui no Brasil. E eu morro de preguiça de ler livros em inglês.
Outra coisa que precisa mudar urgente é o preço abusivo de livros no Brasil. Alguma coisa precisa ser feita para permitir que a população tenha um acesso mais fácil à leitura, já que não temos uma grande quantidade de bibliotecas públicas a disposição do povo.
Precisa mesmo ser uma coisa tão cara? Será que as editoras não podem considerar a hipótese de lançar livros com o papel mais barato, uma encadernação menos dispendiosa para tentar diminuir o preço final das publicações? Ok, já temos uma pequena mudança ocorrendo, já existem os livros Best Bolso e Pocket, mas a quantidade de títulos é ínfima, convenhamos.

E quando a pessoa dá a sorte de encontrar um livro que promete, ao terminar a leitura esse livro precisa ir para algum lugar. Geralmente, a estante. Onde eles se acumulam, proliferam, encalham.
Bem, não no meu caso. De vez em quando, como vocês sabem, eu procuro esquecer livros nos lugares onde passo. Alguns eu deixo guardados debaixo da cama do meu consultório e costumo oferecer aos pacientes, quando penso que determinada pessoa poderia se beneficiar de determinado livro específico (juro por Deus, tem gente que precisa de livros e não só de remédios).
Ou então eu troco de livros com amigos. Só não posso deixar que eles se acumulem nas estantes, porque além da casa ficar feia, vamos encarar, chega a ser um pecado.
Mas uma coisa que me chateia é emprestar um livro e nunca mais tornar a me encontrar com ele. Se eu não te dei um livro, só emprestei, isso significa que vou quere-lo de volta! Caramba! Porque tantas pessoas se esquecem desse detalhe? Atualmente, se eu sinto muito ciúme de um livro, já decidi que não empresto mais.
Outra situação delicada é receber o livro de volta, porem em péssimas condições como a foto abaixo ilustra bem o caso:

O livro "estuprado" é um livro caríssimo de dermatologia. Emprestei para uma amiga estudar. Como tenho o maior carinho por ele, enfeitei com flores e colei uma foto minha com o autor já falecido, do referido livro.
A "abençoada" resolveu descer a serra de Teresópolis com o livro no banco traseiro, embaixo de uma panela de ensopadinho. Ao lado do livro, estava seu bichinho de estimação, um furão. Ao entrar numa curva, a panela escorregou e esmagou o bichinho, deixando no meu livro um rastro eterno de comida misturada com sangue.

O que fazer numa situação desgraçada dessas? Comprar um livro novinho, imediatamente para a pessoa! É por essas e outras que eu nunca peço um livro muito caro ou muito raro emprestado. Imprevistos acontecem.
Pior é que meus livros ssão todos enfeitadinhos, como vocês podem ver na foto abaixo. Eu gosto de rabiscar, colorir, fazer anotações, colar post its, tudo para deixar aquela leitura com a minha cara. Então, ainda que ela me desse outro livro, nunca mais a essência seria a mesma, e isso é muito irritante!
Ela matou o meu livro!

Outro hábito que tenho, é o de escrever, além do meu nome e da data em que foi comprado, as circunstâncias que me levaram a comprar aquele determinado livro. Ou então alguma piadinha, que só eu entendo. Exemplo:
"Luciana Leal / Março de 1998 / Estou chateada porque precisei fazer um exame de sangue e comprei esse livro como prêmio pela minha coragem"
Ou então o que escrevi no livro Cleopatra, a Filha de Ísis:
"Luciana Leal, a tataraneta de Ísis, Maio de 2001"
É divertido, ao reler o livro anos mais tarde, lembrar dessas bobeirinhas (claro que já passei por alguns constrangimentos por conta dessa mania).