
Consultório médico não é trem fantasma, mas pode ter as suas surpresas desagradáveis. Resolvi listar os medos mais comuns dos pacientes:
1) MEDO daquela biópsia vir com alguma neoplasia maligna/ doença incurável/ debilitante:
São dias de angústia até que o resultado chegue. E algumas vezes, é preciso repetir o exame, sobretudo se a clínica do paciente é muito diferente do resultado anátomo-patológico. Nós, médicos, também ficamos sofrendo de ansiedade, afinal, somos nós que damos as más notícias - quando elas acontecem.
2) MEDO de escolher o médico errado:
Eu sei o que passa pela sua cabeça. Você se pergunta se terá empatia com o médico. Se ele vai conseguir resolver/ amenizar o seu problema. Se ele é bom tecnicamente.
Uma vez fui numa ginecologista e não a conhecia pessoalmente. Durante a consulta, detestei a mulher já durante a anamnese. Pensava "nunca que eu vou deixar essa mulher vai colocar a mão em mim". Aí eu simulei uma candidíase (disse que estava com todos os sintomas) e ela preferiu fazer "o exame preventivo" num outro dia, exatamente como eu sabia que ela faria. Nunca mais voltei lá.
A melhor propaganda de um médico é o tal do "boca a boca". Se alguém já foi no médico e aprovou, são grandes as chances de você gostar também.
3) MEDO de agulhas:
Muita gente tem. Eu tenho. Eu (até pouco tempo) desmaiava para fazer exames de sangue. Para dizer a verdade, uma vez cheguei a fazer uma convulsão por hipoglicemia, porque juntou o jejum com o stress pré-picada (o stress consumiu a pouca glicose que me restava). Muito comum as pessoas passarem mal, MAL MESMO, por causa de uma inocente agulha de injeção. É tão fácil aplicar nos outros... Eu gosto tanto que trabalho com isso! Mas quando é a nossa carne a ser picada... não é fácil.
Mas de alguma forma, ao longo de muitos anos, eu superei isso. Não posso dizer que fico feliz quando preciso que me injetem alguma coisa, mas pelo menos não passo mais vergonha.
4) MEDO de não gostar do resultado:
Medicina é uma arte, não é uma ciência exata. Não tem como saber se você vai gostar do resultado do seu botox, do seu preenchimento, do seu laser, a não ser que você crie coragem... E FAÇA! Da mesma forma que você não sabe se vai curtir um novo corte de cabelo. As coisas não são iguais na teoria e na prática. Definitivamente, o fica bom na sua amiga (ou inimiga, vai saber..), não necessariamente será o melhor para você.
É muito difícil ter garantias nessa vida. Nós nem sabemos se vamos conseguir atravessar uma rua com segurança.
E quando falamos de resultados estéticos, cada organismo reage de uma maneira. Aliás, o mesmo organismo reage de maneira diferente em épocas diferentes da vida, o que nos leva ao quinto medo, que é...
5) MEDO do resultado não durar muito:
Eu fiz preenchimento nos lábios duas vezes na vida. Usei o mesmo ácido hialurônico, e quem aplicou foi a mesma pessoa (minha mãe). Na primeira vez, o efeito durou quase um ano. Fiquei muito bem por uns nove meses. Animada, fiz o segundo.
Juro, o segundo não durou nem três meses. Fiquei chateada, não por conta da grana do material (até porque, minha mãe não me cobrou), mas porque o procedimento DÓI PRA BURRO, e eu sofri como uma condenada. Então, reflitam comigo:
- Mesma paciente
- Mesma médica
- Mesmo material
- Mesma técnica empregada (gosto que minha mãe use cânula, fica com menos hematomas, e me fura menos)
Pergunta: o que mudou? Porque durou menos? Resposta: meu metabolismo. Em épocas de stress, doenças, muita agitação, problemas na tireóide, uso de determinadas substâncias, tudo isso pode fazer o seu organismo degradar mais rápido o que foi injetado. Não é culpa sua, nem do material, nem do médico.
A culpa é do seu organismo como um todo. Então, se o seu botox não dura, seus pêlos não terminam nunca na depilação, suas manchas não somem, só posso dar um conselho. Tente novamente. Quem sabe, se daqui a uns meses, o seu organismo não recebe melhor o tratamento?
6) MEDO de o marido/ namorado/ namorido detestar:
Quando optar por fazer algum tratamento estético, você precisa ser egoísta e pensar só em você. Mesmo se o dinheiro for dele. Você é quem precisa estar feliz com o resultado final. E se ele DE-TES-TAR e você realmente não puder superar isso, lembre-se que nada dura para sempre. Daqui a alguns meses, o efeito some e você pode então tentar outra coisa.
7) MEDO de se arrepender... financeiramente falando:
Para que não aconteça, pense bem antes de fazer este investimento. Se prepare para isso. Junte o seu dinheiro. Veja se conseguirá arcar com a manutenção do tratamento, inclusive em casa. Se um orçamento for demais para o seu bolso, pesquise outros preços, ou negocie com o médico uma maneira mais suave de pagar. O que você não deve fazer - jamais - é pechinchar preço com o médico. É deselegante, e coloca o médico numa situação desagradável. Os preços dos procedimentos variam conforme o tamanho do consultório, a localização, o número de funcionários, a experiência (ou influência acadêmica) do médico, o tipo de material que ele usa... São muitas as variáveis.
Se um consultório particular está fora do seu orçamento, procure hospitais universitários e centros de estudo e pós graduações, que fazem o trabalho de graça ou com preços populares.
8) MEDO de ter alguma complicação:
Como diz a minha mãe, "só não quebra copo, quem não lava copo". E quem lava muito copo, obviamente vai ter mais copos quebrados, por uma questão até matemática.
Todos os médicos já tiveram uma complicação na vida, poucos admitem isso. Em congressos, nas aulas sobre complicações, os slides com as infecções e queimaduras são sempre "de um colega", nunca do palestrante (é raro alguém admitir ter sido o responsável por aquilo).
Saiba que todos os procedimentos possuem um risco. Converse antes com o seu médico sobre esses riscos. Veja se vale a pena.
E caso o pior aconteça, se você tiver uma boa relação com o seu médico, confiar nele, vocês dois juntos irão superar qualquer adversidade que possa eventualmente surgir.