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sábado, 31 de janeiro de 2015

Irritando Luciana: Exagerou ao sol? :-(

Vocês não podem calcular como fico revoltada, quando uma pessoa me liga ou aparece no consultório com queimadura solar. 


Em pleno século XXI, justamente quando dispomos de um verdadeiro arsenal para evitar que isso aconteça, tais como, protetores solares poderosos, roupas anti-uv, barracas anti-uv, chapéus que são praticamente sombreiros mexicanos (por falar nisso, perdi o meu), proteção solar ORAL, óculos que bloqueiam os raios UV, sem falar na informação sobre os efeitos da radiação, isso ainda acontece.

Claro que cada caso é um caso. De repente você se encontra preso num lugar onde não esperava pegar tanto sol. Ou então seus amigos sem noção detonaram o seu protetor solar e quando você percebeu, era tarde demais. Sei lá. Só sei que ainda hoje, essa é uma queixa razoavelmente comum.

E as "desculpas" que escuto?

- "Mas eu passei o dia embaixo da barraca!" 
-> Devia ser transparente

- "Estava um mormaço...nem senti nada..." 
-> Ainda assim precisa passar o protetor, e reaplicar

- "Juro que reapliquei o protetor solar.."
-> devia ser FPS 30 ou até 15. e reaplicou quantas vezes? Uma?

- "Não sei como isso foi acontecer! Eu estava de chapéu, protetor, fiquei embaixo da barraca..."
-> E Papai Noel existe.

Bom, terminada a minha "bronca" virtual, só me resta te ajudar, não é verdade?


Então vamos lá. Seja lá por que motivo for, você pegou sol demais. A capacidade de seus melanócitos de produzir melanina não foi suficiente para defender o DNA das suas células da imensa quantidade de radiação que você recebeu.

Seu DNA foi danificado e vamos torcer com fé, para que suas enzimas reparadoras do DNA sejam capazes de evitar que você tenha um câncer de pele no futuro. Mas o futuro não te preocupa nesse exato momento. Agora, o mais importante para você, é aliviar essa ardência infernal, que começa a acontecer entre 2-6 horas após a exposição solar, e que pode durar até 48 Hs.

Sua pele está vermelha e quente. Você está desidratado e pode sentir um pouco de tontura. Procure beber bastante água, de preferência gelada, para tentarmos diminuir a temperatura do seu corpo.

Para a ardência, ou seja, a queimadura solar, tudo vai depender da profundidade dela. Se foi superficial, se só está vermelho, algumas medidas simples podem te ajudar. Se foi profunda e você está com bolhas, sua situação é mais grave, procure um médico.

Existe uma antiga receita da vovó, que manda misturar maisena com água gelada e aplicar compressas dessa mistura no local. Realmente esse método ajuda.

Para quem prefere comprar algo pronto na farmácia, recomendo este produto:


Vocês podem deixar dentro da geladeira e aplicar na pele sacrificada.
Nos Estados unidos, eu gosto de comprar Solarcaine (não porque eu precise disso para curar queimaduras solares, mas porque a lidocaína em spray alivia minhas crises de urticária. A coceira diminui na hora!).


Dependendo da dor e do seu edema, seu médico poderá lhe prescrever antinflamatórios.
Agora que você já se tratou, é só esperar o tempo fazer o resto. Provavelmente você irá descamar daqui a uns três dias, e se isso acontecer, por favor, não fique puxando as peles que se soltam.


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

"Queimadura" por água-viva, como proceder?


Não deu outra. Domingo de sol, marido e filho frenéticos, com vontade de passear na praia, o irresistível mar praticamente nos chamando...

Resumo da ópera: me "queimei" com uma água viva. Essa situação é muito comum, mas muitas pessoas desconhecem como proceder nesse momento desagradável.

Em primeiro lugar, é bom saber que a gravidade da "queimadura", varia bastante, bem como os sintomas experimentados por cada indivíduo. Algumas pessoas sentem ardência (leve/moderada/intensa), outros sentem agulhadas,fisgadas e sensação de câimbra.

Porque isso acontece?

As águas-vivas são animais marinhos cobertos por células que injetam toxinas. O veneno, que serve para paralisar a presa, não é fatal aos seres humanos, mas provoca dores. Portanto, o que acontece não é uma queimadura propriamente dita, e sim um envenenamento.

Como proceder?

Lave o local imediatamente, com água do mar ou soro fisiológico.

Importante: não use água doce, que pode piorar a situação.

Você pode experimentar passar vinagre no local, pois o mesmo ajuda a neutralizar as toxinas, e consequentemente a ardência.

Outra medida que caiu em desuso, mas pode ajudar se você estiver em uma ilha deserta, em último caso, é - pasme! - urinar no local. Alivia na mesma hora! Mas evite essa medida se houver lesões como bolhas. Se sua urina não estiver estéril, pode haver contaminação da lesão.

Em casa, se a ardência persistir, pode fazer compressas geladas, tomando o cuidado de nunca colocar o gelo diretamente sobre a pele. Eu costumo fazer "bolas de gêlo" usando bexigas de festa de aniversário. Sempre tenho algumas em casa e no consultório.


Em crianças, todo o cuidado é pouco. Como possuem o corpo menor, ao se queimarem, uma maior superfície corporal é atingida. Procurem se informar a respeito da presença desses seres assim que chegarem na praia. 
O uso de roupas com proteção UV ajudam também, pois formam uma barreira entre a criança e a água viva. Se possível, optem pelas roupas de manga e calça compridas.  

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Nem todo câncer de pele é uma mancha escura

Essa história é antiga, e ainda não havia terminado o meu curso de dermatologia. Estava em um congresso, indo assistir a uma palestra sobre - tinha que ser isso - ÉTICA MÉDICA. Um advogado famoso, daqueles que todo mundo respeita (e tem medo) ia dar a palestra. Estávamos em São Paulo. Calhou de pegarmos o mesmo elevador, e quando entramos não deu pra ignorar...

O homem estava com uma lesão no dorso do nariz, que parecia ser um carcinoma basocelular. E era enorme. Mas eu não tinha certeza se era, pois estava estudando ainda (e estava beeeeeem no início). Então surgiu a questão:


Como eu gosto de ir dormir sem nenhuma questão me atormentando os pensamentos, contei. Obviamente eu disse que era médica, mas que não tinha terminado meu curso de dermatologia. Pedi que ele me desculpasse, mas eu não podia ignorar uma lesão que tinha todo o jeito de ser um carcinoma basocelular, que seria interessante ele marcar uma consulta com o médico de confiança da família dele.

O que aconteceu? Ele agradeceu muito a preocupação, mas disse que aquilo lá não era um câncer de pele, e sim um calo que seus óculos fizeram no nariz. Que ele já tinha aquilo há anos (como é comum de acontecer nesses tumores, que podem ter um crescimento lento, nem sempre eles crescem rápido), e que o "calo" não o incomodava nem um pouco.

Resolvi não dizer mais nada, o recado foi dado. Essa resistência ao escutar a sugestão de que aquilo seria um câncer de pele aconteceu, porque uma grande parcela da população acredita que câncer de pele é sinônimo de uma mancha escura na pele, ou uma pinta estranha. Muitos, só conhecem os melanomas.

Mas na realidade, existem até os chamados "melanomas amelanóticos", que não necessariamente são pretos. Essas lesões podem ser rosadas e até esbranquiçadas, é um diagnóstico dificílimo.

Existem os carcinomas basocelulares, que são nódulos cor da pele, com finas teleangiectasias na sua borda (são lindos, devo admitir). Algumas vezes ulceram e ficam horrorosos, podem desfigurar um rosto.

Existem lesões, úlceras que nunca cicatrizam. Elas podem ser pequenininhas e não causar preocupação no paciente, mas essa lesão pode ser maligna, um tipo de carcinoma chamado espinocelular.

Existem diversos tipos de câncer, e se algum dia vocês notarem uma lesão diferente, procurem seus dermatologistas, para tirar a dúvida se aquilo pode ser ou não um câncer de pele.


Todas essas imagens foram retiradas do Google e são exemplos de câncer de pele, que não necessariamente se parecem com uma pinta ou mancha escura.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Porque a sua pele coça?


A sua pele não foi feita para coçar, embora algumas pessoas sofram cronicamente com este problema, chegando a ter até o sono comprometido, e consequentemente, sua qualidade de vida.
 O ato de produzir coçadura constantemente promove o espessamento da pele (liquenificação), devido a fricção. Pode também ocasionar infecções secundárias, se houver fissura na pele, e pior, pode gerar um ciclo vicioso, ou seja, o ato de se coçar provoca mais coceira.

O prurido pode acontecer por causas dermatológicas (e quando "enxergamos" a lesão, fica mais fácil descobrir a causa), ou doenças sistêmicas (é aí que o bicho pega). Também existe o prurido psicológico (esse então é o terror dos dermatologistas), e o causado por distúrbios do sistema nervoso central ou periférico. Isso tudo sem falar no prurido em que a medicina não consegue descobrir a causa.

Portanto, o troço é complexo. Quando uma pessoa chega com esse sintoma, o médico já sabe que vai ser uma consulta "daquelas". Porque qualquer coisa no mundo pode estar causando aquilo. Eu fiz um mini-fellow em imunologia em Georgetown University, e nunca me esqueço de um paciente que tinha um prurido crônico nas costas e parte posterior das coxas. Depois de muito pesquisar (o mistério levou uns seis meses para ser desvendado), descobriu-se que o pigmento da cadeira onde o paciente trabalhava era o causador da coceira maldita.

De posse dessa informação, fica fácil perceber porque a anamnese do paciente precisa ser tão detalhada. O médico vai lhe perguntar o tempo de duração do sintoma, os horários em que aparece, as partes do corpo acometidas, fatores desencadeantes, sua história familiar e social, sua história de doenças prévias e remédios e vitaminas que estão sendo utilizados no momento, se existem outros sintomas concomitantes, fatores que aliviam o quadro, estado psicológico do paciente, ...



Uma das causas mais comuns e fáceis de se tratar de prurido, é aquele causado pela pele seca, bastante comum em idosos (é o chamado "prurido senil") e pessoas com dermatite atópica (ou CHAtópica, como eu carinhosamente gosto de chamar). O tratamento nesse caso é hidratar diária e exaustivamente, com hidratantes potentes.
Outras causas de prurido generalizado incluem o gravídico, o da icterícia obstrutiva (causada pela impregnação cutânea de pigmentos biliares), prurido diabético, linfomas, leucemias, insuficiência renal, uso de determinados medicamentos e vitaminas, HIV e doenças da tireóide.
Já as causas cutâneas são várias, já que muitas doenças da pele cursam com esse sintoma. As mais comuns são as dermatites (atópica, seborreica, eczemas de contato, etc), as micoses, urticárias, escabiose, picadas de insetos, psoríase, etc (a lista é vasta, acredite).
Importante é procurar o seu médico e descobrir a causa, pois você merece viver sem coceira, ou pelo menos com o sintoma controlado. 
Não se aborreça se a causa não for determinada na primeira consulta, esse diagnóstico é difícil, e podemos levar meses para resolver o mistério. Lembre-se do paciente de Georgetown. importante é confiar no médico, e não ficar mudando a cada consulta, pois alguns casos exigem mesmo uma investigação mais complexa. 


domingo, 14 de outubro de 2012

Classificação das Cicatrizes:

Oi, gente! Não reparem, mas só fui perceber que troquei as letras da palavra "saliente" depois de ter salvo esta foto... Definitivamente, a pressa NÃO leva a perfeição...

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Como um machucado cicatriza... (noções básicas)



Essa semana todinha eu só vou falar sobre cicatrização de machucados e feridas cirúrgicas. Para começar, encontrei este vídeo, que embora seja bem básico, e com algumas piadinhas duvidosas, ilustra muito bem como se inicia o processo de cicatrização.
É claro que a coisa toda é muito mais complexa do que o que foi exposto no vídeo, mas lembrem-se que o objetivo é dar explicação para um público leigo. 
Ao longo da semana, confiram dicas do que vocês podem fazer para ajudar a sua pele a cicatrizar o melhor possível, e também produtos que podem ser usados para ajudar este processo.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

UMA DOENÇA QUE "É FOGO"!


Fogo selvagem é o nome popular de uma doença chamada pênfigo foliáceo. Sinceramente, qual é o nome pior? Incrível a imaginação das pessoas na hora de dar nomes às doenças.

Mas, o que é pênfigo? Existe mais de um tipo de pênfigo?
Claro que sim, meus amigos. Vocês sabem que desgraça nunca anda sozinha e não seria o tal do pênfigo, que não teria as suas variantes.

Mas vamos começar do início. Os pênfigos são doenças que possuem como característica principal, o aparecimento de bolhas na pele. E bolha é uma coisa meio dramática, por assim dizer. Elas se rompem, elas ardem, elas infeccionam.

Essas bolhas são causadas, na maioria das vezes, por mecanismo de auto-imunidade. Em outras palavras: os seus anticorpos passam a estranhar as células da sua pele e promovem um ataque. Quanto mais profundas forem as células atacadas, mais grave é o pênfigo. E maiores são as bolhas, que podem ter um tamanho gigante.

Sentiram o drama?

No pênfigo foliáceo, somente as camadas superiores de células são atacas, logo, suas bolhas são menores e transitórias. Porém, podem coalescer, e formar grandes áreas de pele erosada. É comum acometer indivíduos mais jovens, e pode ocorrer de forma endêmica principalmente em algumas áreas rurais (eu vi muitos casos em Volta Redonda). Geralmente, as bolhas se iniciam na cabeça e parte superior do tronco e depois se espalham pelo tronco.

No pênfigo vulgar, que inclusive foi o tema da monografia que fiz em Georgetown University, o ataque é mais profundo, as bolhas são enormes, e pode haver bolhas nas mucosas. Algumas vezes, o paciente fica anos TENDO AFTAS, sem aparecer nenhuma bolha na pele, e isso dificulta o diagnóstico. Dificilmente se consegue visualizar bolhas nas mucosas, porque elas se rompem rapidamente. Com o tempo, há a progressão da doença para a pele. É mais comum em pessoas mais velhas, de 30 a 60 anos.

Aqui neste site, vocês encontram mais informações sofre pênfigo foliáceo.
Aqui tem um poster apresentado num congresso com um relato de caso de pênfigo foliáceo, inclusive com fotos (achei melhor não colocar fotos da doença aqui no blog para preservar "os sensíveis").

O tratamento é longo, perigoso, caro e muitas vezes é necessário internar o paciente.

Importância deste post:

1) Informar sobre a existência de uma doença comum no Brasil, porém pouco conhecida.
2) Se você tem aftas de repetição por meses ou anos, saiba que um dos diagnósticos pode ser pênfigo (mas calma, nem todas as aftas são pênfigos, aliás, a maioria NÃO É).
3) Existem áreas endêmicas, mas a ciência ainda não elucidou completamente o mecanismo das causas ambientais envolvidas na doença.
4) Pênfigo tem tratamento.
5) Se algum conhecido seu tiver suspeita de pênfigo, e melhor procurar um serviço universitário para se tratar, do que o consultório particular do seu médico, principalmente se houver necessidade de internação.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Fitofotodermatose: o que é, como evitar...


Há alguns anos, uma paciente me apareceu no consultório listrada. Isso mesmo que você leu: LISTRADA.
Acontece que ela era muito bonita, bem casada, ótima profissional, e uma amiga indicou que ela tomasse um banho de ervas, para afastar o mal olhado. Toda mulher adora afastar o mal olhado, porque nunca se sabe. E nessa época de final de ano, muitas pessoas supersticiosas, acabam procurando uma receitinha aqui e outra ali.
Bom. Tomou o banho, afastou o olho gordo, mas no dia seguinte... tomou sol. Como ela era também RICA, tinha uma bela piscina para receber os amigos, e foi o que fez.

Horas depois, percebeu listras amarronzadas em todo o seu corpo e foi correndo me procurar.
Diagnóstico: FITOFOTODERMATOSE

Mas, o que é isso?
Trata-se de uma lesão decorrente da interação do sol (particularmente a radiação ultravioleta A)com algumas substâncias psoralênicas, geralmente presentes em algumas plantas, e frutas cítricas.
Pode haver alguma ardência, mas não é comum. E as manchas costumam aparecer horas ou dias após a ocorrência da equação sol+ planta. Em casos mais graves, surgem até mesmo bolhas.

Evite virar uma "banana de pijama" afastando-se de caipirinhas, frutas, sorvetes cítricos e mandingas durante esses dias quentes de verão.
Se acontecer o contato, lave o local abundantemente com água e sabão e fuja do sol. Mesmo se você limpar a área, AINDA ASSIM as manchas podem acontecer.

Manchou...e agora?
Não precisa ter grandes trabalhos. A mancha vai sumir, mas pode levar um bom tempo, que varia de semanas a meses. Use um belo bloqueador solar, e roupas que tentem cobrir a área afetada, para evitar as perguntas dos curiosos.
Não precisa torrar o seu décimo terceiro com lasers ou peelings. Basta ter paciência, a mancha costuma desaparecer sem deixar vestígios.

E para o ano-novo, meu conselho é tomar banho de sal grosso, que não causa fitofotodermatose e ainda serve para esfoliar seu joelho ou cotovelo durante o banho.
:-)

Quer saber mais sobre o assunto? Neste link você encontra:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0365-05962010000400009&script=sci_arttext

A FOTO FOI RETIRADA DO ARTIGO CITADO NO MEU TEXTO.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Ictiose


Uma leitora me mandou um e-mail divulgando um site sobre ictiose, muito bem feitinho, que resolvi compartilhar com vocês.

Nele, alem de informações sobre a doença (e suas variadas formas clínicas), vocês podem conhecer outras pessoas com o mesmo problema e trocar informações.

http://www.ictiose.com.br/

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Sobre Cicatrizes e palavras tristes.


Estou lendo um livro chamado "Pequena Abelha". Foi super elogiado pela crítica, chamado de "Impressionante", "Brilhante", "Uma história Arrebatadora" e etc. Sinceramente?
Estou na pagina 17 e achando o livro chatíssimo.

Mas acabei de ler uma passagem super emocionante que decidi dividir com vocês. Juro, parei de ler o livro e vim aqui repassar esse trecho:

"Nas pernas escuras da moça havia muitas cicatrizes brancas pequeninas. E pensei: Será que essas cicatrizes estão no seu corpo inteiro, como as luas e as estrelas no seu vestido? Achei que isso também seria bonito, e peço-lhe neste instante que faça o favor de concordar comigo que uma cicatriz nunca é feia. Isto é o que aqueles que produzem as cicatrizes querem que pensemos. Mas você e eu temos que fazer um acordo e desafia-los. Temos que ver todas as cicatrizes como algo belo. Combinado? Este vai ser o nosso segredo. Porque, acredite em mim, uma cicatriz não se forma num morto. Uma cicatriz significa: "Eu sobrevivi".

Daqui a pouquinho vou falar umas palavras tristes para você. Mas você deve escuta-las da mesma maneira como combinamos ver as cicatrizes. Palavras tristes são apenas uma outra forma de beleza. Uma história triste quer dizer: essa contadora de histórias está viva. Daí a pouco, alguma coisa boa vai acontecer com ela, uma coisa maravilhosa, e ela vai se virar e sorrir."

AUTORA: CHRIS CLEAVE

Estou confiante que agora vou começar a gostar mais desse livro! Tem livro que começa morno e depois não conseguimos mais largar.

Muitas pessoas choram no consultório, sobretudo as que sofrem com melasma e cicatrizes de acne. Também trabalhamos com quelóides, cicatrizes hipertróficas e atróficas, cicatrizes decorrentes de mutilações (cirúrgicas ou traumáticas), mas todas, repito: to-das, são exatamente como a autora descreve de maneira tão simples e objetiva.

As cicatrizes nada mais são do que o testemunho biológico da vitória do seu corpo sobre algum infortúnio orgânico. O post terá atingido a seu objetivo se você mudar de paradigma e conseguir enxergar a sua cicatriz com olhos mais generosos.
E uma pitada de orgulho.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Luvas para quem é alérgico a LATEX


Pegando o bonde do post da Cinderela, resolvi compartilhar aqui o tipo de luvas que usamos lá no consultório: são luvas de nitrilo.

O que acontece: minha mãe é a prefeita da cidade dos alérgicos a látex. Nada de látex pode tocar no corpo dela. Meu bisavô morreu de edema de glote, pra vocês terem uma idéia.

Portanto, lá na clínica só se usa luvas de nitrilo, que nós compramos na farmácia CVS americana, sempre que viajamos. Compramos pencas de luvas. Toneladas.

Tem também a questão da seguraça em relação aos nossos pacientes que não sabem que são alérgicos a latex. Então protegemos nós duas e também as pessoas que atendemos.

Essas luvas não possuem talco e não ressecam as mãos. Podem ser autoclavadas (na verdade, nunca li nada sobre isso na embalagem, mas nós temos um maravilhoso autoclave e as luvas nunca desmancharam...).

Estou socializando essa informação aqui porque muitas pessoas com dermatite de contato por irritante primário, ao usarem luvas de borracha, acabam desenvolvendo dermatite alérgica das mãos. Portanto, opte por luvas forradas ou luvas de nitrilo.

Essa nossa luva se chama Safe Skin e é roxa, os pacientes adoram.
Luvas para alérgicos precisam ser coloridas para que o alérgico nunca se engane e pegue uma luva de látex sem querer, por exemplo. Viram? Ser alergico tem as suas vantagens, você ganha uma luva fashion (só não pode ter alergia ao corante).

É uma dificuldade encontrar essas luvas, então sempre que um paciente nosso viaja, já sabe que, ao nos presentear com essas luvas, estará fornecendo o presente perfeito.
(nada contra ganhar outros mimos, loóóógico)

Respondi a todos os comentários do post do Hospital de Princesas!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Hospital de Princesas: Cinderela e sua dermatite de contato

Percebam o que uma mente insone e insana consegue imaginar numa madrugada. Estava eu "fritando bolinho na cama", ou seja, me virando pra cá e pra lá, com a mente a mil por hora, quando decidi fazer uma série de posts relacionando as princesas da Disney com suas possíveis doenças dermatologicas.

Hoje vamos começar com uma das minhas prediletas, a Cindy, também conhecida como Cinderela.

A Cindy levava uma vida sossegada quando seu pai era vivo, não precisava passar horas com as mãos enxarcadas de detergente, lavando o chão de seu castelo.

Mas depois que seu pai morreu e sua madrasta assumiu as rédeas de sua vida, tudo mudou. Aquela criatura com as mãos tão delicadas, foi posta para trabalhar, e trabalhar pesado. lógico, sem perder a pose, conforme vocês podem conferir no vídeo abaixo. E também sem usar luvas, que teriam ajudado a evitar a formação da dermatite de contato por irritante primário, que vou explicar em seguida.

A dermatite de contato por irritante primário pode ser aguda ou crônica (como é o caso da Cindy) e se caracteriza pela exposição repetida da pele a ácidos ou bases. Com o tempo, essas substâncias rompem a barreira protetora da pele e provocam eritema, vesículas, dor e ardor nas áreas afetadas.

No caso dos produtos de limpeza domésticos, essas substâncias (ácidas ou básicas) são mais brandas, porem o contato diário acaba provocando a chatíssima dermatite das mãos.

Leia mais sobre isso aqui. Não confundir essa doença com a dermatite de contato alérgica.

Existem diversos tratamentos para isso, mas o principal é se afastar dessas substâncias irritantes. No caso da Cinderela, isso só poderia ser feito de duas maneiras:
1) Protegendo-se com luvas
2) Casando-se com um príncipe para voltar a ter uma vida de princesa (opção preferida por ela)

Outros tratamentos incluem o uso de corticóides tópicos, imunomoduladores, inibidores da calcineurina, e uma novidade que vi no congresso!!!!

Ainda não chegou ao Brasil, mas foi desenvolvido um novo retinóide oral chamado de "alitretinoína".

A alitretinoína é o ácido 9-cis-retinóico, ajuda a regular a queratinização da pele, porem com o benefício de haver uma mínima modificação na produção de sebo. Portanto, não resseca a pele (por outro lado, não terá muito valor para ser usado na acne e na rosácea). Efeitos colaterais incluem alterações leves dos hormônios tireoidianos e do colesterol.

Cinderela, vá fazer faxina lá em casa!

Pronto, falei!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Tire suas dúvidas sobre caspa e dermatite seborreica!


Estou prometendo este post há algumas semanas, mas por acaso encontrei esse post no You Tube e achei super esclarecedor.
Quem tiver mais alguma dúvida, pode postar nos comentários (sempre lembrando que não posso indicar medicamentos pela internet).

terça-feira, 29 de junho de 2010

Vacinas (pensa que acabaram só porque você ficou adulto?)

As crianças detestam vacinas. Os adultos também (eu inclusive). Mas elas são necessárias para a manutençao da beleza da nossa pele, afinal, pele bonita é uma pele de gente saudável.
Poucos adultos lembram-se de realizar os reforços de suas vacinas, salvo em casos de pânico mundial (tipo gripe suína) ou quando um trabalho ou uma viagem "obrigam" a pessoa a receber determinadas doses de vacinas.
Os calendários de vacinas, bem como suas indicações ou contra-indicações estão em constantes modificações (sempre pra melhor, procurando preencher as necessidades da população em um determinado momento específico).
Dessa forma, se quiser verificar quais vacinas se aplicam ao seu caso, clique nos links a seguir:
Aqui você encontra o calendário básico de vacinação para crianças, proposto pelo ministério da saúde.
Aqui, informações sobre vacinação contra H1N1.
Aqui, vacinas específicas para adultos e idosos.
Aqui existe um calendário de vacinação para a mulher (inclusive com informações sobre a vacina contra HPV).
Aqui, esquema de vacinação para prematuros.
Aqui, informação sobre vacinas permitidas para portadores do vírus da Aids.
Aqui, um texto sobre a vacinação na gravidez.
Aqui, vacinas recomendadas para mulheres que planejam engravidar.
Aqui e aqui, importantes vacinas que devem ser tomadas antes de sua viagem.
Aqui, como funcionam as vacinas.
Aqui, compreenda os diferentes tipos de vacinas existentes.
E aí, se convenceu???
Para alegrar um pouco a sua vida, resolvi compartilhar um vídeo onde a Lara conta um pouco sobre como foi a sua última vacinação. O vídeo está escuro e quase não se consegue ver nada, mas a voz dela de criança contando o sufoco que passou, me fez dar boas gargalhadas.
Em tempo: hoje, ao sair de casa para ver o jogo do Brasil, trinta minutos antes de jogo, encontro uma mulher no elevador com o seu filho. Para ser simpática com os vizinhos, perguntei se estavam indo assistir ao jogo do Brasil. A mãe me respondeu que, na verdade, estava indo vacinar o filho. Caramba, vacinas são importantes, mas a hora não poderia ser pior. O que faz uma pessoa decidir vacinar o filho na hora do jogo do Brasil? Boa sorte para o garoto...

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Dermatite Atópica (ou "chATÓPICA")


A dermatite atópica é uma desordem inflamatória, pruriginosa, crônica, de início comum na infância (em média aos 3 meses de idade) e que, como tudo que é ruim na vida, pode persistir até a idade adulta. Acomete todas as raças, tem forte componente familiar (é como eu digo, se fosse um olho azul, a pessoa não herdaria... você conhece a lei de Murphy da genética?) e pode se associar a outras doenças alérgicas.

Metade das crianças afetadas pode desenvolver asma, rinite alérgica ou urticária.

Essas doenças têm uma herança autossômica dominante com penetração incompleta. Segundo o livro Antony Du Vivier, a prevalência de asma, do eczema e do número de testes cutâneos positivos têm aumentado desde o início dos anos 70, e isso pode ser uma consequencia de fatores ambientais, mais do que genéticos.
Dermografismo: na primeira foto do post, podemos observar "coisas escritas" na pele de um paciente com dermatite atópica. Isso aconteceu graças ao dermografismo, que é o fato de a pele, após ser riscada, apresentar edema e eritema.
Em algumas pessoas, ao invés de eritema, existe uma linha branca (daí chamamos de dermografismo branco). Essa vasoconstrição pode ser entendida como um fenônemo semelhante à asma.
Os pacientes com dermatite atópica têm uma susceptibilidade aumentada a contrair infecções virais e fúngicas, por não terem habilidade de produzir uma imunidade celular satisfatória (imaginem a imunidade celular como uma "briga" corpo a corpo entre o vírus e a célula. Na imunidade humoral, onde lançamos anticorpos, imaginem os anticorpos como balas de revólver que a célula atira no "invasor". Entenderam a diferença entre imunidade celular e humoral?).
Por esse motivo, é comum que os atópicos contraiam com mais facilidade molusco contagioso, verrugas, herpes, fungos...
Há também maiores chances de se contrair doença bacteriana, principalmente por estafilo e estreptococos.
Deserto do Saara: em geral, os pacientes com dermatite atópica possuem pele seca, muito seca. Essa condição pode permanecer assim para o resto da vida. Essa pele xerósica é extremamente susceptível a substâncias irritantes como cosméticos, lã, muitas lavagens, detergentes...
Ao exame clínico, é notável a simetria das lesões. Verificamos um eritema (vermelhidão) com bordas pouco definidas, acompanhado de descamação. Em alguns casos, observamos vesículas ou crostas.
A dermatite atópica começa no rosto e se espalha para tronco e membros. As áreas de flexura costumam ser mais atingidas, especialmente pálpebras, pescoço, sulcos anticubitais, punhos, sulcos glúteos (o chamado "cofrinho), tornozelos, fossas poplíteas. Outros lugares também podem ser "premiados" como a perilabial (nas crianças o ato de lamber os lábios igual ao "Nerso da Capitinga" perpetua essa condição).
Complicações: como a coceira é exagerada estilo Lady Gaga, o ato de coçar repetidamente a pele , a deixa liquenificada. O que é isso? Ela fica grossa, estilo casca de laranja. Tem gente que coça com tanto desespero que forma cicatrizes, tornando até difícil a visualização da dermatite. A formação da cicatriz pode produzir alterações da pigmentação (ora manchas escuras, ora manchas claras).
Além dessas complicações, as infecções também podem piorar o quadro.
Tratamento:
Vários podem ser empregados. Como a causa da dermatite atópica ainda não foi completamente elucidada, ainda não se pode dizer que existe cura. Alguns sortudos, curam-se espontaneamente com o tempo. Muitas crianças melhoram por volta dos 3 anos. Mais da metade livram-se da DA por volta dos 13 anos. Pode haver recorrência na adolescência, mas a maioria se recupera até os 30 anos.
Entretanto, os menos desprovidos de sorte sofrem com essa doença por toda a vida. Por não haver tratamento específico, muitos estágios de severidade da doença e complicações, o tratamento não é simples.
É muito importante combater a secura da pele diariamente. Incansavelmente. O uso de hidratantes deve acontecer duas vezes ao dia: pela manhã e após o banho. O meu hidratante preferido para esses casos é o TriXèra da Avène. Não tem cheiro, não tem PABA, não tem corantes, não tem nada, fico até surpresa de que ele não seja invisível, de tão "livre de substâncias alergênicas" que ele é.
No Brasil não temos a versão embalagem pump no creme, somente no sabonete. Uma pena, pois é super prática.

Na hora do banho, eu gosto de prescrever o Cold Cream ou a versão sabonete em gel do TriXera. Evitar banhos muito quentes (pode ser morno. Morno é morno, não é frio) e demorados. Evitar limpar o corpo todo da criança, dar preferência a axilas, virilhas, região genital e pés.
Corte a unha da criança para que ela não se machuque ao se coçar.

Outros tratamentos: esses precisam ser prescritos e com o acompanhamento de seu médico. Muitas vezes, é necessário o emprego de corticóides tópicos, alcatrão, imunomoduladores, imunosupressores, anti-histamínicos, homeopatia (nesse caso, existem médicos ainda um pouco reticentes), tratamento psicológico*, entre outros. É o médico que vai classificar e propor o tratamento para cada estagio de gravidade (e a presença ou não de complicações) da dermatite atópica.
* Tratamento Psicológico / Apoio aos Pacientes e familiares no Rio de Janeiro:
O setor de Alergia e Imunologia da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, realiza reuniões mensais de apoio para pacientes e familiares.
Essas reuniões acontecem sempre nas últimas quintas-feiras do mês, no anfiteatro do Pavilhão São Miguel, entre 12:30-14:00Hs.


Outras informações sobre Alergia vocês encontram em um dos melhores blogs feitos por médicos que eu conheço. É o BLOG DA ALERGIA. Além de ser lindo, conta com informações científicas super atualizadas. Eu conheço alguns membros da equipe e sei que eles trabalham com muito amor.

Espero ter ajudado um pouco!

sábado, 1 de maio de 2010

Males da infância: Molusco Contagioso

Esse post foi escrito em homenagem a uma paciente muito especial, que é leitora assídua do blog, a pedido da mesma. Ontem, eu e minha mãe retiramos mais de 40 lesões de molusco contagioso da filha dela, e ela não gostaria que isso acontecesse com outras crianças.
Para começar, o molusco contagioso não é um molusco, como o nome diz. Trata-se de um vírus, na verdade o maior vírus que se conhece, e que pertence ao grupo Poxvírus. É bastante comum em crianças, mas os adultos também podem pegar, sobretudo os que não estão com a melhor imunidade do mundo.
Essa doença é altamente contagiosa. Ridículamente alta. Então, pensem comigo: se uma criança pega uma doença de pele super contagiosa, rapidamente as outras crianças que convivem com a "arminha biológica" vão se contaminar também. Afinal, muitas brincadeiras infantis envolvem contato corporal: elas dançam, brigam, jogam futebol, enfim, realizam muitas atividades onde as peles se tocam.
Porque estou dizendo isso? Porque, minha gente, creches, escolas e parquinhos são um prato cheio para as crianças se contaminarem. E muitas vezes, elas ficam meses sem o diagnóstico correto, e nesse meio-tempo, contagiam a turma inteira. A culpa nem sempre é da escola, porque nem sempre essas lesões se localizam em um local visível, fora do uniforme escolar.



As lesões são pápulas, medindo em média 5mm (porem, algumas podem ter diâmetros muito maiores), algumas (geralmente as maiores) apresentam um furinho no meio (umbilicação central), costumam ser lisas. As lesões são assintomáticas, mas se a criança manipular o local (com as unhas), pode haver infecção bacteriana secundária, e daí a coceira se instala.
É auto-inoculável, ou seja, você pega dos outros, mas também pode espalhar com as próprias mãos o vírus pelo seu corpo. E quando isso acontece, você vira uma sopa de molusco contagioso, o que aconteceu com a filha (ultra-fashion) da minha paciente.


Sem tratamento, as lesões podem regredir sozinhas ao longo de meses ou anos, dependendo da imunidade da pessoa. Porém, durante esse periodo, o portador da patologia além de se auto-inocular (some uma daqui, aparece outra ali), vai espalhar a doença no meio em que vive.
Tratamento: existem vários (curetagem, crioterapia, medicações orais, aplicação de TCA, de iodo...), e a escolha depende da idade da criança e do número de lesões. Um bebê com duas lesões terá um tratamento mais conservador do que uma criança de três anos com 40 lesções.
O método clássico é a curetagem seguida de pincelagem de iodo. As lesões são anestesiadas com anestésico tópico e em seguida pegamos uma espécie de colherzinha afiada (a cureta) e retiramos os moluscos da mesma forma que tiramos sorvete do pote usando a colher de sorvete. Algumas vezes essa curetagem pode ocasionar cicatrizes, porque lesões muito grandes necessitam que "se cave mais fundo". Depois podemos pincelar com iodo ou cauterizar com bisturi elétrico com pouca intensidade.
Quando as lesões são extremamente numerosas (como foi o caso), é aconselhável realizar este procedimento em ambiente hospitalar sob sedação. Isso facilita o trabalho do médico (que consegue retirar as lesões com mais tranquilidade, sem uma criança se debater), e psicológicamente é melhor para a criança (que não fica traumatizada ao ser contida e curetada da cabeça aos pés), além de aumentar a segurança por estarmos num ambiente hospitalar.
Crianças alérgicas costumam ter mais recidivas, e deve-se vigiar o ambiente que a criança frequenta, para evitar um novo contágio.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Rosácea


"Rosácea é uma doença inflamatória crônica da pele que acomete principalmente as regiões centrais da face, caracterizada por episódios de eritema e telangiectasias, podendo evoluir com a presença de pústulas e edema.

Costuma evoluir por estágios, num período de anos. Acomete mais pessoas de pele clara, do sexo feminino, com idade variando entre 30 e 50 anos. É uma doença de etiologia multifatorial.


Fatores constitucionais, facilitando crises de eritema facial, desencadeados por estímulos diversos e a exposição crônica ao sol, são importantes por danificarem os vasos linfáticos levando a edema intersticial e inflamação crônica. Fatores gastrointestinais tem sido exaustivamente estudados e atualmente tem-se dado importância para a relação com a presença do H. pylory o que não é aceito por todos.


O papel patogênico do Demodex folliculorum, parasita comensal de folículos pilocebáceos, também tem sido muito debatido, sendo que a alguns autores consideram que um número maior que 5/cm é altamente especifico para rosácea. É importante ressaltar que a rosácea também acomete o olho, em até 50% dos doentes, causando principalmente blefarite, conjuntivite, hordéolo, calázio e até ceratite que pode levar à cegueira. É importante que todos pacientes com rosácea sejam examinados por oftalmologistas, periodicamente.


O paciente de rosácea, ao ser tratado, deve ser orientado para evitar fatores que, conhecidamente, causem crises de flushing como: álcool, comidas condimentadas, calor, sol, estresse, entre outros, e irritantes locais. "




Dicas para quem tem rosácea:

Existem diversos tratamentos para rosácea, cada um específico para cada caso (a rosácea tem graus variados de gravidade). Além dos medicamentos que o paciente vai seguir por orientação médica, existem cuidados que devem ser observados pelos pacientes.

Todas as manhãs e noites, faça uma limpeza suave no rosto. Evite usar esfoliantes. Lembre-se, a sua pele é sensível.

Enxágüe o rosto com água fria e seque delicadamente com uma toalha macia de algodão. Gosto muito de usar fraldas de pano para esse fim.

Evite o uso de esponjas e toalhas felpudas.

Evite as maquiagens de tons rosado ou alaranjado, as perfumadas e as que contenham álcool.

Os homens devem usar barbeador elétrico.

Proteja-se do sol: use sempre protetor solar com um FPS alto.

Nos dias com temperatura e umidade altas, procure ficar em ambientes com ar condicionado.

Se o frio agravar a sua rosácea, procure não ficar ao ar livre em dias frios e use um creme para evitar o ressecamento da pele.

Procure evitar situações de estresse .

Faça atividades físicas de baixa intensidade. Procure levar um spray de agua thermal geladinha para refrescar o rosto durante o exercício.

Anote em um diário os dias em que a rosácea piorou e procure identificar os fatores que a afetam.

Determinados alimentos (queijos, cremes, iogurte, cítricos, chocolate, molho de soja, baunilha, vinagre, espinafre, fígado), bebidas alcoolicas ou bebidas quentes pioram a rosácea.

Anote em um diário os dias em que a rosácea piorou e procure identificar os fatores que a afetam.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Tudo, tudo, tudo sobre melasma...


São tantas as dúvidas sobre melasma... qual o "melhor" creme? Qual o "melhor" tratamento? Como fazer para evitar reicidivas? Melasma tem cura? É genético? Tem influência hormonal? Homem pode ter melasma? Laser é infalível contra melasma??? Qual tipo de laser? Dúvidas e mais dúvidas... E nesse meio tempo a sua mancha clareia, depois piora, como um iô-iô dermatológico.
Eu acredito na informação. Acho que pacientes precisam ser informados exatamente sobre as taxas de sucesso que um tratamento pode promover, bem como possíveis complicações. Até para poder decidir se vale a pena investir tempo, dinheiro e o seu bem estar psicológico.
Pensando nisso, decidi dividir com vocês alguns artigos médicos sobre melasma.
Esse aqui, onde a autora principal é a Dra. Denise Steiner está ótimo! Ele é um "resumão" sobre os tratamentos mais empregados no melasma.
Esse outro , maravilhoso, explica a fisiopatologia do melasma (esse é mais complicado de se entender, mas vale a pena tentar).
Aqui você vai entender como os melanócitos se comportam na pele sadia e nas manchas de melasma.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Furúnculo: um vulcão na sua pele...


Há algumas semanas, uma leitora pediu que eu fizesse um post sobre furúnculos. Minha mãe leu esse pedido e desde então não me deixou esquecer. Por isso, hoje vamos falar de uma doença extremamente comum, altamente dolorosa e com recidivas frequentes.


A furunculose é uma estafilococcia necrotizante do aparelho pilossebáceo. Em português mais claro: ele mata (necrosa) o buraquinho onde nascem nossos pêlos corporais. É mais comum ocorrer nas áreas mais pilosas (se cuida Tony Ramos!) e sujeitas à fricção (como axilas e nádegas). O termo furunculose é dado quando surgem várias lesões ou ocorrem recidivas em um curto espaço de tempo. O que acontece, geralmente, é que ao coçar a lesão o indivíduo fere o furúnculo fazendo com que seja eliminado pus que vai infectar outros folículos próximos. As roupas também podem ser veículos de transmissão (que se dá por contato, logo cuidado ao "se esfregar" em alguem... risos). Quando vários furunculos se unem, damos o nome de antraz.


"A bactéria penetra no folículo e causa inicialmente uma infecção superficial na pele. Posteriormente, ela se dissemina e acaba formando a lesão característica, com uma região amarelada no centro e um contorno avermelhado e endurecido. Há um aumento importante do volume, e a lesão é bastante dolorosa e sensível à compressão. O tamanho do furúnculo vai depender da profundidade da infecção ou do folículo infectado: quanto mais profunda maior é o furúnculo. Com o tempo, ocorre a destruição da pele que recobre a região central, que rompe espontaneamente e leva à eliminação do material amarelado do centro (tecido necrótico) juntamente com pus. Após o rompimento, a dor desaparece e a ferida tende a cicatrizar e deixar uma marca escura no local." Fonte: Wikipedia


O que fazer em caso de furúnculo?

Em primeiro lugar, fazer o óbvio, que é procurar um médico. Ele é quem vai prescrever o antibiótico, que dependendo da gravidade, poderá ser oral ou tópico.


Não esprema o furúnculo. Sim, eu sei que dá muita vontade. Principalmente se ele ocorreu no corpo de outra pessoa, tipo o marido ou o filho. Se a lesão for perto do rosto ou próximo ao ouvido, a infecção pode se propagar pela corrente sangüínea podendo causar graves conseqüências. Portanto, contenha-se e não esprema na-da.


Evite mexer no pus eliminado pelo furúnculo. Se por acaso isso acontecer, lave imediatamente as mãos com água e sabão. Procure usar luvas quando for realizar os curativos.


Costumamos pedir que o paciente realize compressas úmidas mornas a cada três horas.


Bactéria ama sujeira. Conselho de amiga: usar sabonetes antissépticos no corpo todo quando estiver com furúnculos.


Usar toalhas limpas individuais (troca-las diariamente).


Cuidado com a vestimenta, que se for muito apertada (periguete-style) pode atritar demasiadamente a lesão e piora-la.


Trocar também a roupa de cama.


Realizar a descolonização corporal da bactéria. Como fazer isso? Seu médico vai prescrever um antibiótico tópico, e três vezes ao dia, você vai usa-lo com um cotonete nas seguintes áreas corporais (são bizarras, mas é assim mesmo): mucosa externa nasal, entre os dedos das mãos e pés, virilhas, axilas, umbigo e cofrinho (entre os glúteos).


Se as recidivas têm sido frequentes, seu médico deverá investigar a sua imunidade. Existem alguns centros que fazem uma vacina contra essa praga, e sua eficácia acontece para uma parcela da população.

Pessoas com deficiências nutricionais também são mais propensas.

Boa sorte!

Quem somos nós:

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minhapele@ig.com.br, Rio de Janeiro, Brazil
Uma médica que ama dermatologia, medicina estética, e principalmente, ADORA o que faz. Um cirurgião plástico apaixonado pela profissão.

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