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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Hospital de Princesas: Gabriel, Anna e o risco da Hipotermia


Todo mundo sabe, que as pessoas que realizam atividades na neve (a princesa Anna que o diga, procurando a irmã na geleira) ou em situações de frio intenso (tipo trabalhar em um frigorífico), podem eventualmente sofrer de uma condição chamada HIPOTERMIA.

Geralmente, quando precisamos encarar o frio, tentamos nos vestir adequadamente para a ocasião, e raramente esse tipo de "acidente" acontece, salvo em pessoas que se perdem, fazendo esportes de inverno. Mas vocês já pararam pra pensar que a hipotermia pode acontecer até aqui, no Rio de Janeiro, nesse nosso inverno de araque?

Pois é, aconteceu na última sexta-feira com o Gabriel. Estivemos em Angra, e embora não estivesse um dia super quente, o clima também não estava suficientemente frio para impedir que um certo garotinho resolvesse aproveitar a praia. Coloquei suas roupas com proteção UV e passamos a tarde dentro da água.

Lá pelas tantas, ele começou a tremer muito, de uma maneira que até nos assustou. Saímos da água e o coitadinho estava gelado, batendo queixo. Rapidamente, tiramos sua roupa com proteção UV (que pode ter contribuido para essa queda abrupta da temperatura) e observamos sua pele, que estava arroxeada, não só nos membros, mas também na região do tórax, nádegas e bochechas. Nesse momento, ficamos mais preocupados.



Pegamos três toalhas e abraçamos o gordinho, certos de que rapidinho ele pararia de tremer. Não parou.

Então resolvemos leva-lo para o quarto e dar um banho de água quente. Enchemos uma banheira com água morna tendendo a quente, e lá ele permaneceu durante uns 20 minutos. Ele estava animado e feliz com o banho quente, mas continuava arroxeado. A temperatura estava em 36 graus (sempre levo um termômetro, ele não serve só para ver FEBRE). Até cogitamos de ele ter engolido algo que poderia ter ido parar na traquéia, mas além da respiração dele estar em um ritmo normal, convenhamos, se fosse isso, ele já estaria desacordado.

Liguei para a minha mãe, que me lembrou de repor a glicose, dando um líquido doce e quente. Rapidinho preparei uma mamadeira daquelas, e esse foi o pulo do gato. Só depois dela, é que ele de fato, voltou a sua cor de boto cor de rosa.


Então vamos combinar assim, para não deixar que isso aconteça com vocês:
Cuidado com crianças dentro da água. É possível ocorrer hipotermia mesmo em dias de sol. Crianças perdem calor mais rápido do que adultos.
Cuidado com roupas de proteção UV. Em dias mais amenos, elas podem contribuir para diminuir mais a temperatura corporal, principalmente quando a criança sai da água.
Ofereça lanches regulares.

E, se por acaso acontecer, tome as seguintes medidas:


Saiba mais sobre o assunto, clicando AQUI.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Hospital de Anjinhos: Estomatite

Essa semana, uma doença malvada roubou o sorriso lindo do nosso anjo. Já ouviram falar em estomatite?
Na segunda-feira, Gabriel amanheceu choramingando, e ao longo do dia a febre surgiu. No início, estava relativamente baixa, mas quando foi dormir chegou a quarenta.
Durante a madrugada, além da febre, percebi um mal hálito bastante intenso... Logo imaginei que seria algo na garganta.
Conversei com o pediatra e combinamos que ele ia dar uma olhada na criança na terça-feira.
Quando chegamos lá, a constatação: sim, era um problema na garganta, mas não era amigdalite e sim uma coisa muito mais dolorosa...
ESTOMATITE!!!!
A estomatite é causada por vírus (herpes virus ou coxsakie, este último  responsável pela doença mão-pé-boca), portanto não adianta usar antibióticos ou antifúngicos.

Eu digo isso porque entrei em um fórum de mães (depois que ele nasceu, parei de frequentar o forum do 2Beauty e só entro no E-family), e em um tópico intitulado "estomatite", muitas mães diziam que as outras mães precisavam usar nistatina... Um grande erro, pois a monilíase e a estomatite são duas entidades médicas completamente diferentes. Tomem cuidado com fóruns que sugerem medicações. Confiem em seus pediatras!

A estomatite é uma doença relativamente benigna, caracterizada pela presença de aftas nos lábios, na língua, e na orofaringe. Basicamente, qualquer área de mucosa da boca pode apresentar aftas.
Agora imaginem uma boca repleta de aftas! é uma dor muito forte!
Além de aftas, a criança apresenta febre alta nos primeiros dias, gânglios aumentados, halitose, recusa alimentar e mal-estar.
Esse quadro pode durar de uma semana a dez dias para se curar, se não houver complicações.
As maiores complicações são infecção bacteriana secundária e a desidratação, pela imensa dificuldade de ingerir líquidos.

Tivemos alguns momentos de tensão com a tal da desidratação porque nos primeiros dias, o Gabriel não aceitou líquidos de maneira nenhuma e chegou a ficar quinze horas sem urinar.

Tivemos que tentar hidrata-lo dando água por conta-gotas e colherzinha, sempre com muito choro e sofrimento (dele e meu).
O tratamento dessa doença é feito pela tentativa de se amenizar a dor.
Não se deve deixar de realizar a higiene da cavidade oral, mas deve-se usar muita gentileza nessa limpeza, para evitar sangramentos na gengiva.
Os líquidos oferecidos, se estiverem resfriados, são aceitos com mais facilidade pela criança (mas não pelo Gabriel, que detesta bebidas frias).
Tente tudo: Milk-shake, sucos diluídos (mas não os cítricos), iogurtes, e alimentos sólidos macios, como purês e sopinhas. Estes também devem ser oferecidos quase frios.
Evite dar também, alimentos condimentados e comidas salgadas.
A transmissão é feita pelo contato normal entre as pessoas. Mas algum parente íntimo estiver com lesões ativas de herpes na boca, não custa nada afastar a criança dessa pessoa.
Seja uma boa pessoa e não mande o seu filho para a escola se ele estiver doente. Se a doença for causada pelo herpes vírus, a pessoa poderá ter outras crises durante a vida, mas geralmente elas serão mais brandas.
Nosso querido está praticamente recuperado, ele é muito forte!

domingo, 13 de novembro de 2011

Hospital de Anjinhos: Tratamento conservador de orelhas de abano em bebês

Essa foto era para ser a última do post!


Fato: de uma hora para outra as orelhinhas do Gabriel resolveram... ABANAR, por assim dizer. Ele nasceu normalzinho da Silva, mas aproximadamente aos três meses tivemos essa surpresa desagradável.
Não me entendam mal. Eu acho meu filho maravilhoso, com ou sem orelhas de abano. Ele é saudável, alegre e muito bom de se apertar (e GOSTA de ser beijado, coisa rara entre bebês).

Mas vamos logo dar nome aos bois. A sociedade, em especial AS CRIANÇAS, costumam ser cruéis com pessoas que possuem orelhas de abano. Os apelidos são humilhantes, sem contar aqueles puxões de orelha, petelecos... Aiiiiiii... não quero nem pensar.

De posse desses fatos, fomos estudar, pesquisar se existia algum tratamento NÃO CIRÚRGICO, CONSERVADOR, para essa deformidade, e qual não foi a nossa surpresa... EXISTE!!!!

SÓ NÃO É UM PROCEDIMENTO MUITO DIVULGADO, por uma pequena razão. Não é intere$$ante para alguns cirurgiões, porque no futuro eles deixam de operar um paciente com orelhas de abano (se bem que meu curativo custou o preço de uma cirurgia). Além disso, o resultado não pode ser garantido em 100% dos casos, o que pode gerar insatisfação por parte dos pais das crianças, que muitas vezes não conseguem entender que medicina não é uma ciência exata.

Essa é uma técnica japonesa, é completamente indolor e a criança não precisa levar pontos. O médico faz um molde com algodão (e dependendo da deformidade, outros materiais também podem ser usados) e esparadrapo, e fixa a orelha da criança durante um mínimo de dois meses. Essa é a parte mais chata e complicada, depois eu explico o porquê.

As maiores chances de sucesso ocorrem quanto mais novinho for o bebê, pois a cartilagem dele é mais molinha, ainda está sob efeito dos estrogênios maternos. O ideal é iniciar o tratamento no primeiro mês de vida, mas até os seis meses, ainda consegue-se bons resultados.

Como a orelha do Gabriel começou a se deformar com três meses, até descobrirmos uma solução, marcarmos uma consulta, só iniciamos o dele aos QUATRO meses de idade. Ou seja, estamos praticamente no limite.

Mesmo assim, resolvemos tentar. Imaginem que maravilha livrar o seu filho de gozações, humilhações e principalmente, de uma cirurgia, com todos os riscos implicados nela?

Quando descobrimos essa técnica, somente dois médicos faziam no Brasil. Um em São Paulo (que foi para onde levei o Gabriel, de mala e cuia) e outro em Belo Horizonte. Nós, que não somos bobas, prestamos atenção a tudo o que o médico fez no Gabriel, porque com o tempo, o curativo se desfaz, se descola, e nós já fizemos esse molde na orelha dele pelo menos umas cinco vezes desde que iniciamos o tratamento. Ou seja, estamos craques.

Esse procedimento poderia ser feito facilmente por qualquer pediatra em seus consultórios médicos. Fica a dica ;-)

Eu queria muito ter escrito esse post antes, mas fiquei com medo do procedimento não dar certo no Gabriel, e gerar uma expectativa frustrada em outras mamães e bebês com o mesmo problema. Mas da última vez que trocamos o curativo dele (tem um pouco mais de 1 mês), já deu para perceber uma melhora. Daí eu pensei "se eu demorar a escrever este post, posso estar condenando uma criança a perder a chance de tentar uma melhora, como nós fizemos.

Porque o Gabriel mesmo, quase perde a oportunidade, por pura falta de informação a respeito dessa técnica. Quando retirarmos de vez o curativo, independente do resultado, vou mostrar aqui como ficou. E caso não fique totalmente recuperado, não se esqueçam que iniciamos o procedimento razoavelmente "tarde" nele, quase aos 45 minutos do segundo tempo.
Bom, na pior das hipóteses, pelo aprendemos uma técnica nova.

Recadinho: muitas pessoas prendem as orelhas de seus filhos com esparadrapo. Não recomendo que vocês tentem isso em casa. O curativo que aprendemos a fazer é muito mais complexo do que parece, e se você prender as orelhas sem respeitar a anatomia local, pode - QUE MEDO! - causar outras DEFORMIDADES na orelha de seu bebê.

DIFICULDADES QUE TEMOS PASSADO:

1) Quando está com raiva, por qualquer motivo, o Gabriel arranca o curativo da cabeça. Uma vez, pela manhã, ele estava cheio de esparadrapos nos dedos. Preciso manter esse bebê plenamente feliz até o dia 13 de dezembro.

2) A hora do banho devia se chamar "A Hora do Pesadelo". Não podemos molhar o curativo. Então colocamos uma faixa e uma touca. Ele fica igualzinho a um confeiteiro (PRIMEIRA FOTO). E precisamos colocar pouca água na banheira. O cabelinho não fica muito cheiroso.

3) De vez em quando é necessário refazer o curativo. Ele detesta essa parte.

4) As pessoas olham descaradamente, muitas com pena. Já escutei diversas vezes na rua me dizerem "coitadinho", "saúde pro bebê", "será que ele operou a cabeça?", etc. De fato, as pessoas ficam até mais gentis e solidárias, e eu me sinto culpada, pois meu filho está longe de estar doente.

5) Você precisa ter paciência para explicar o que se trata, pois o povo pergunta mesmo. E quando descobrem que a criança está igual a uma múmia por motivos estéticos, muitos nos julgam. Prepare-se para escutar "coitado, usar isso nesse calor!" ou "cruzes, isso deve coçar pra burro!". Mas aí eu te pergunto: se seu filho for dentuço, você não vai colocar aparelho nos dentes dele? Aparelho dói à beça, incomoda, demora meses ou anos até melhorar os dentes, e é mil vezes mais caro. E nós usamos, lógico!

6) Pior do que ser julgada pelos outros, é você mesmo se julgar. Todos os dias passa pela minha cabeça:
- Estou torturando o meu bebê?
- E se não der certo?
- E se eu estiver causando um cacoete de orelha nele, já que ele sempre manipula a orelha quando está com raiva?
- Ele vai ficar chateado de ter um monte de fotos de bebê cheio de esparadrapo na cabeça?
- E se o problema voltar? (FATO: mesmo quando se faz a CIRURGIA, a orelha de abano pode voltar a abanar. É raro, mas acontece...)

AQUI tem um artigo científico sobre isso.
E foi AQUI que descobrimos essa técnica.
Se algum médico souber realizar esta técnica, sinta-se convidado a deixar seu contato nos comentários.

Torçam por nós!!!!

ATUALIZAÇÃO: Estive aqui pensando... Não se fui justa com os cirurgiões plásticos quando disse que eles pouco falam dessa técnica por interesses financeiros.
Recentemente houve o congresso Brasileiro de cirurgia plástica. Meu irmão foi, e pedi que ele ficasse atento a alguma palestra que falasse desse procedimento. Ele me disse que nada foi dito sobre isso, somente a cirurgia mesmo para correção das orelhas.
Então, talvez muitos não indiquem por:
1) Desconhecerem a técnica
2) O público-alvo geralmente é mais velho, e o tratamento é mais eficaz nos primeiros meses de vida
3) Interesses financeiros

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Gabriel usou e a mamãe amou: Cetaphil Restoraderm



Ele é perfeito, risonho, alegre e saudável... mas se você pudesse passar a mão nas perninhas do Gabriel (e talvez dar umas mordidas na coxa dele), certamente perceberia que a tal da dermatite atópica também andou por essas bandas.

O coitadinho ainda não tem a doença na fase aguda, com inflamação, mas já apresenta uma grande chance de desenvolver a doença no futuro, pois a mãe é alérgica.
Quando um dos pais é alérgico, a criança tem aproximadamente 50% de chances de se tornar também. Quando os dois pais são, as chances sobem para 75%.

No momento, ele só tem a pele seca e temos usado e aprovado o sabonete líquido e o hidratante Cetaphil Restoraderm.
O sabonete líquido deixa uma película sobre a pele que restaura o manto lipídico da pele. Sobra até para as paredes da banheirinha dele, que ficam com um sebinho grudado depois de ser esvaziada.

E, após o banho, eu ataco com o hidratante.
A pele dele melhorou muito. Absurdamente. Quando comecei a usa-los, o Gabriel tinha mais ou menos dois meses.

O preço poderia ser mais camarada.

Adoro a embalagem pump do hidratante e acho que o sabonete deveria ter também. Só acho que os produtos Cetaphil não têm um apelo visual muito interessante. Os produtos parecem insossos, mas estes definitivamente não são.
Comprei MILHARES de produtos Mustela quando fiz o enxoval do baby, mas tive que aposentar a maioria por contadas fragrâncias, que os"pré-alérgicos" devem evitar.

domingo, 9 de outubro de 2011

Hospital de Anjinhos: Proteção Solar para Bebês




Funciona assim:

Chapéu, roupas com proteção anti-UV, horário adequado e barracas ====> SEMPRE

Filtros Físicos (bloqueadores solares especiais para crianças) ====> iniciando com 6 meses

Filtros Químicos (protetores solares especiais para crianças) ====> iniciando com 2 anos

Reaplicar a cada duas horas.
Reaplicar após mergulhos e /ou transpiração abundante.
Hidratar a criança o tempo todo!

Mais sobre proteção solar infantil AQUI.
Não use NENHUM produto sem a permissão de seu pediatra.

domingo, 21 de agosto de 2011

Hospital de Anjinhos: Acne Neonatal e Acne do Lactente


O Gabriel teve. Os filhos da minha prima Fernanda também tiveram. E provavelmente vocês conhecem algum bebê que também sofreu desse problema.
Geralmente, a acne neonatal e a acne do lactente desaparece após algumas semanas sem necessidade de tratamento, mas os familiares ficam super angustiados, querendo "passar alguma coisa", na tentativa de acelerar essa cura.

Sinceramente, existem livros (principalmente os americanos) de dermatologia que permitem o uso de certas substâncias usadas na acne do adulto, mas eu não recomendo. Existe um risco aumentado de os bebês desenvolverem efeitos colaterais (como alergias, dermatite de contato, etc), pois a pele deles é mais delicada e fina, portanto absorve mais os componentes do creme do que adolescentes e adultos.

Em alguns casos mais graves, podemos lançar mão de antibióticos orais, mas essa terapêutica é reservada, pois nesses casos é preciso usa-los durante semanas ou meses.
Encontrei o blog de um pediatra que fez um post super completo sobre acne neonatal. Para ler mais sobre o assunto, clique AQUI.

obs. Na foto, o Gabriel já estava com o rosto mais limpinho, mas nem por isso ele deixa de ser solidário com os outros bebês que ainda estão sofrendo desse problema.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Hospital de Anjinhos: Eritema Tóxico Neonatal do Gabriel


É como diz o velho ditado: em casa de ferreiro, o espeto é de pau...
Não deu outra! O nosso anjinho Gabriel nasceu com uma desordem dermatológica chamada "Eritema Tóxico Neonatal".

Eu sei, o nome assusta um pouco. Ok, assusta muito. É por essa razão que faço questão de falar sobre esse tema aqui no blog: para tranquilizar papais e mamães que sofreram o susto que o nome dessa doença pode causar.

Porque escrevi a palavra doença em itálico? Porque essa alteração de pele é benigna e some em alguns dias. Não quer dizer que seu bebê esteja intoxicado ou com algo perigoso. Vai desaparecer!!! Mas antes de sumir por completo, você pode notar que surgem lesões novas, e isso pode parecer assustador.

O ETN (Eritema Toxico Neonatal) é comum em bebês a termo, pode afetar em média um terço deles. É portanto uma condição razoavelmente comum. Não tem preferência por sexo, afeta mais os bebês de mulheres primigestas (ou seja, o primeiro bebê, o herdeiro do trono), e o tipo de parto (vaginal, que não foi o meu caso) também aumenta as chances dadoença.

É pouco comum em bebês com baixo peso (<2,500Kg). O verão e o outono aumentam as chances da ocorrência.

As áreas mais afetadas são face (como foi o caso do anjo Gabriel, vejam a foto), tronco, braços e nádegas, e é raro o envolvimento das regiões palmar e plantar.Podem durar horas ou semanas e haver recidivas. É comum encontrarmos pápulas e pústulas sobre o eritema.

A causa exata do ETN é desconhecida, mas sabe-se que pode estar envolvida com sensibilidade imediata a alérgenos ou resposta a estímulos térmicos, mecânicos ou químicos.

Moral da história: o eritema tóxico é uma doença auto-limitada e não requer nenhum tratamento além de tranqüilizar os pais.

Obs. Gabriel está com 6 dias e a maioria das lesões já sumiram!!!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Hospital de Princesas: Passando o pente fino na Rapunzel


Vocês já imaginaram se a Rapunzel fez algum tipo de seguro para seus cabelos maravilhosos? Já imaginaram o prejuízo, caso um piolho resolva se alojar naqueles fios longos e maravilhosos?

Não estou dizendo que ela teria de cortar os cabelos, atualmente essa prática raramente é necessária... Mas ela ia gastar muito tempo e dinheiro cuidando dos cabelos...

A pediculose é uma doença que pode atingir os pelos do cabelo, do corpo e -pasmem!- do PUBIS!!!!
Os que causam a doença na cabeça se chamam Pediculus humanus var. capitis, não que isso traga algum consolo para quem está sofrendo com uma coceira intensa no couro cabeludo. Atinge todas as classes sociais (já imaginaram a princesa Kate com piolhos?), ambos os sexos, mas possui uma predileção por crianças em idade escolar e... respirem fundo... M.U.L.H.E.R.E.S!!!!

É fácil entender o porquê. A doença é transmitida por contato interpessoal (e as brincadeiras, principalmente de meninOs, como por exemplo lutas e jogos de futebol, envolvem contato corporal) ou por uso de objetos contaminados (gorros, chapéus, escovas e pentes, travesseiro de motel...).

A coceira é bastante intensa e ocorre principalmente na parte de trás da cabeça, podendo inclusive atingir o pescoço, que fica vermelho. Como o paciente sente ímpetos assassinos de cravar as unhas nas lesões, pode haver infecção secundária por bactérias no local.

Além da presença dos piolhos, observa-se a presença das lêndeas, que são os ovos bebês do parasita (o "Gabriel" da mamãe-piolho). Essas lêndeas, nem de longe são fofas como o Gabriel. Você verá uma coisa gelatinosa e esbranquiçada a mais ou menos 1 cm do couro cabeludo.
Outra má notícia é que essas lêndeas não morrem com o uso do remédio, somente as formas adultas do piolho é que conseguem ser eliminadas pelo medicamento.

Para evitar que as lêndeas cresçam e se multipliquem (as fêmeas e machos cruzam na nossa cabeça -imaginem a festa!- e cada fêmea coloca entre 50 e 250 ovos durante a sua vida adulta, que dura em média 4 semanas), a Rapunzel terá bastante trabalho passando um pente fino em toda a extensão do cabelo.

É melhor pedir que um outro cidadão tenha esse trabalho, pois é necessário enxergar o couro cabeludo e nós não temos olhos na cabeça, concordam?

O tratamento medicamentoso deve ser prescrito pelo médico e pode envolver o uso de loções, xampús e até mesmo comprimidos, usados em conjunto ou separadamente. E devem ser repetidos após 7 dias.

Para facilitar a remoção das lêndeas, pode ser usada uma mistura de vinagre e água em partes iguais (só não garanto como vai ficar o cheiro da pessoa depois), que permanecerá nos cabelos por meia hora antes de proceder a retirada com a passagem do pente fino ou manualmente (éca!). Para a retirada manual é necessário pegar a lêndea com o polegar e o indicador e ir arrastando no comprimento até o fim do cabelo. Não se esqueça de lavar bem as mãos após essa brincadeira.

Para evitar esse tipo de aborrecimento...

Seja chato(a) e não compartilhe escovas e pentes com pessoas estranhas.No salão, pergunte se esses utensílios foram previamente higienizados (quem cortar o seu cabelo vai o-d-i-a-r você, mas depois você desfaz a má impressão deixando uma boa gorjeta).

Oriente seus filhos -principalmente filhAS- a fazerem o mesmo. Meninas adoram brincar de salão com as amiguinhas.

Procure levar sua filha à escola usando penteados presos.

E dá menos trabalho comprar logo aquele boné que seu filho tanto pediu, do que ficar semanas retirando piolhos e lêndeas da cabeça dele, que ele contraiu usando o boné alheio.

Quando alguem estiver tratando piolhos em casa, faça a revista na família toda, para evitar que eles fiquem trocando de cabeça. As crianças adoram deitar a cabeça no colo da mãe enquanto ela procura piolhos. Eu adorava.

A escola deve ser comunicada caso o seu filho venha a apresentar piolhos.

Ao eliminá-los, não jogue-os em qualquer lugar. Para ter certeza de que morreram, deixe-os imersos (afogados) em uma bacia com vinagre, por, no mínimo 30 segundos.



Obs. Gabriel ainda está na barriga....

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Hospital de Princesas: Pocahontas e seus pés selvagens

Vocês já pararam pra pensar em como devem ser os pés da Pocahontas, a nossa princesa descalça?
A criatura vive na floresta pisando em galhos, terra e pedras vinte e quatro horas por dia. A pele dos pés dela deve ser mais grossa do que o solado de uma bota de andar na neve.

Ela, pelo menos, tem essa desculpa de viver na floresta, curtir um estilo de vida natureba e não ter absolutamente nenhuma farmácia para tentar ao menos amenizar esta condição.
Mas nós que moramos na cidade grande temos um enorme arsenal de ferramentas para deixar os pés mais macios e sedosos.


Primeiro algumas considerações. Porque a pele dos pés fica grossa? Por defesa. Quando a pele percebe uma agressão repetitiva, que no caso é o atrito sofrido pelos pés, ela aumenta a sua espessura para evitar fissuras, que poderiam facilitar por exemplo, a entrada de microorganismos no corpo.

É por isso que determinados sapatos causam o espessamento da pele, algumas vezes de forma localizada. São os chamados calos. Determinados indivíduos possuem uma tendência, determinada genéticamente, de sofrer estes espessamentos com maior ou menor gravidade.

Sabendo disso, você já tem a primeira arma para eliminar os seus calos: parar ou diminuir a mania de lixar os pés para afina-los, pois agora você entende que, num primeiro momento, a pele vai sim ficar mais fina. Mas depois este processo tende a deixa-la cada vez mais grossa. Então vamos combinar assim: só lixar as solas dos pés 1 vez na semana, isso se a sua situação for periclitante.

Procurar calçados adequados deve ser a sua prioridade se quiser ter pés mais macios. Outro paliativo que ameniza bastante a situação são aquelas tirinhas e almofadinhas de silicone que existem para amortecer a região dos calos.


Diariamente, as pessoas que sofrem com pés ásperos, devem usar um creme de uréia nos pés logo após o banho. Qualquer um dos sugeridos neste post vai servir muito bem. Alguns deles existem em diversas concentrações, como por exemplo o Ureativ, que existe em 3%, 10% e 20%. Diante disso, você deve escolher o mais concentrado, de acordo com a gravidade da sua situação. Se eu fosse a Pocahontas, escolheria o 20%.

Mulheres grávidas NÃO devem usar cremes de uréia com mais de 3%, porque a uréia atravessa a barreira placentária. Isso é o que está escrito na literatura. Na prática, eu nunca prescrevo creme de uréia para as grávidas (mesmo sendo aceito que se prescreva até 3%). É aquela história: "Vai que..."

Acredita-se que a uréia a 3% não consiga penetrar tão profundamente na pele quanto as de 10 e 20%, e com isso não consiga chegar à circulação da paciente e consequentemente ao feto. Mas e se ela tiver uma pele muito fina? Como é que eu vou jurar que não está chegando uréia aonde eu não gostaria que chegasse?

Eu não tenho a Grandmother Willow da Pocahontas para me dar todas as respostas da vida.


Uma vez por semana, você pode fazer um tratamento mais intenso, colocando uma quantidade generosa de creme de uréia nos pés e depois envolvendo a região com um filme plástico por uns 20 minutos (grávidas Não devem fazer isso, pelos motivos já explicados). Fazer um escalda-pés alguns minutos antes também ajuda bastante.

Isso aumenta a penetração da uréia na pele. A uréia faz uma descamação química, ou seja, promove o descolamento das camadas mais externas da pele, promovendo o afinamento progressivo.

Toda área áspera do seu corpo merece um cremezinho de uréia, não só os pés, mas cotovelos, joelhos...
Confira como a Pocahontas ficou com os pés ásperos:
(Atualização: mudei o título do post porque achei a palavra "cascorenta" um pouco feia para denominar uma princesa)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Hospital de Princesas: Luciana e a Síndrome de Resistência à Insulina


Eu costumo fazer os meus exames de sangue no laboratório Sergio Franco. Uma das coisas que mais gosto lá, é o fato de eles guardarem seus resultados antigos, de anos anteriores, e jogarem tudo em um gráfico.

Então, andei reparando que minha glicose está cada vez mais alta (meu gráfico mostra um arco ascendente, embora ainda esteja dentro da faixa de normalidade).
Muitas pessoas que não costumam fazer um check-up anualmente podem estar deixando passar informações valiosas em relação à sua saúde.

De posse dessas informações, parei pra pensar no meu estilo de vida, e identifiquei várias causas para essa constatação, mas a principal delas, sem dúvida, é a quantidade insana de doces que eu consumo (conforme vocês podem presenciar nesse meu vídeo). Mesmo sabendo que eles envelhecem (deixam suas fibras colágenas e elásticas rígidas) e engordam.

Quando temos vinte anos, achamos que nosso corpo será saudável para sempre, que nossa glicose nunca vai passar de 70...
Bem, aos 32 anos, a coisa muda de figura.
Por isso, resolvi compartilhar com vocês esse texto, retirado da Health Interactive:

"Resistência à insulina é quando nosso corpo não consegue usar a própria insulina apropriadamente. A insulina, hormônio produzido no pâncreas, envia um sinal para as células do nosso corpo dizendo que devem permitir que o açúcar ou glicose se mova do sangue para as células.

Desta forma o açúcar pode entrar nas células através do corpo onde será usado como combustível ou armazenado como energia que será usada mais tarde. Quando as células não estão recebendo os sinais da insulina devido ao defeito na célula, o açúcar ou a glicose não consegue entrar nas células, e esta condição é chamada resistência à insulina.

Há muitas pessoas que têm esse defeito, o qual causa resistência à insulina, mas o pâncreas pode produzir insulina suficiente para superar a resistência e manter os níveis de glicose no sangue normais ou só um pouco elevados.

Para as pessoas com diabetes tipo 2, eles não só têm a condição de resistência à insulina, mas têm outro problema, que é um defeito no pâncreas que limita a produção do hormônio de insulina. É esta combinação de resistência das células e a diminuição da produção de insulina pelo pâncreas que leva a glicose no sangue à níveis elevados.

Algumas pessoas têm resistência à insulina geneticamente, isto é, elas não têm como ser diferentes dos pais, mas há outros fatores que contribuem para a resistência à insulina que podem ser prevenidos.

Os fatores são: estar acima do peso, falta de atividades físicas, isto é, sem exercícios diários. Pessoas que estão acima do peso, com resistência à insulina, tendem a ter o seu peso mais acentuado na área abdominal, conhecidas como “corpo em forma de maçã”, ao invés de “corpo em forma de pêra”.

Para as pessoas que têm diabetes, elevados níveis de glicose podem levar à mais resistência à insulina. Infelizmente, para pessoas que têm somente resistência à insulina e não têm sintoma, esta condição pode ser ainda pior para sua saúde em geral.

A resistência à insulina altera os níveis de gordura no sangue, e está associada com pressão arterial elevada e com o aumento de ataques cardíacos. Como não há sinais associados com a resistência à insulina, o melhor conselho para as pessoas que têm um histórico de diabetes na família, estão acima do peso, e não são ativas, é fazer um teste de glicose, de preferência com orientação médica.

DIABETES TIPO 2 E RESISTÊNCIA À INSULINA

Tratando a Resistência à Insulina

Certamente, o mais óbvio em pacientes que sofrem desta condição, é o açúcar elevado. Em primeiro lugar, o açúcar está alto porque a insulina não está funcionando direito nas células do corpo. Elas resistem ao seu efeito. E mais, há uma deficiência na insulina.

As pessoas que têm resistência à insulina, mas ainda assim podem fabricar insulina suficiente, elas superam esta resistência à insulina, e o açúcar no sangue fica normal. Porém, se eles não conseguem fabricar insulina suficiente para superar esta resistência, então o açúcar no sangue ficará elevado.

Todavia, eles podem até estar fabricando uma quantidade de insulina mais que o normal, para superar a resistência à insulina, mas ainda não é o suficiente. Com o tempo, a resistência à insulina torna-se constante nestes indivíduos. Pode melhorar ou piorar com mudanças no peso e nas atividades, mas em geral ficará estável.

Porém, quanto mais alta a glicose no sangue, pior a resistência à insulina e pior a habilidade em fabricar a insulina. Se mais insulina pode ser fabricada, não há diabetes, mas se não puder fabricar mais insulina, há diabetes. Então, controlar o açúcar, a diabetes, parece simples, mas não é.

Pode-se aumentar os níveis de insulina tomando certos medicamentos que aumentam a secreção de insulina. Pode-se, também com o tempo, tomar injeções de insulina. Com o tempo, a habilidade do corpo em fabricar insulina diminui, e no início as medicações que estimulam o pâncreas a fabricar mais insulina funcionará, mas quando o pâncreas enfraquece, os medicamentos não funcionam, as injeções de insulina são necessárias.

Mas podemos reduzir a resistência à insulina com algumas estratégias. Reduzindo a quantidade de comida e reduzindo o peso, você pode com certeza reduzir a resistência à insulina. A prática de exercícios também reduz a resistência à insulina.

Muitas vezes medicamentos que são tomados devido à algum problema de saúde também podem influir na resistência à insulina. Por esse, e outros motivos, tudo deve ser feito para detectar o motivo certo.

“Há medicamentos que podem reduzir a resistência à insulina”. Essa é uma boa notícia.

Por muitos anos não tínhamos os recursos que temos hoje, e devemos confiar que as pessoas que perdem peso e se exercitam, o que é muito importante, mas nem sempre é o suficiente para atingir as metas esperadas.

Por esse motivo há medicamentos que ajudam a diminuir a resistência à insulina. Alguns deles trabalham para reduzir a resistência à insulina, ou aumentar a sensibilidade da insulina no fígado. É quando o medicamento reduz a produção de açúcar do fígado.

O fígado é um órgão muito importante na produção e manutenção dos níveis de açúcar, e muitas vezes despeja açúcar , se há resistência à insulina no fígado. Usando-se medicamento, ele pode reduzir esse efeito no fígado e reduzir o despejo de açúcar do fígado. Classicamente, a medicação abaixará os níveis de glicose em jejum razoavelmente.

Medir os níveis de açúcar no sangue é muito importante para saber os efeitos do tratamento, e há também um outro teste, também importante, chamado “hemoglobina A1c”, (hemoglobina glicosilada), que dá a média do nível do açúcar no sangue nos últimos 2-3 meses. É muito importante que seu médico peça esse exame de hemoglobina A1c.

Há ainda medicamentos que agem nos músculos e é conhecida como a resistência periférica à insulina. Esses medicamentos diminuem a resistência à insulina nos músculos e na gordura e leva à redução dos níveis de açúcar mais comumente após as refeições. A insulina permite que o açúcar penetre nos músculos para ser usado, armazenado e usado como energia e assim por diante, e isto é chamado de disposição da glicose.

Dieta e exercícios na resistência à insulina

Uma alimentação saudável e atividades físicas regulares melhoram a sensibilidade do corpo à insulina, e ajudam no tratamento da resistência à insulina. A dieta recomendada (que é boa para todas as pessoas), inclui uma variedade de alimentos à base de grãos, frutas e legumes; uma dieta de baixa gordura, particularmente em gordura saturada e colesterol; uma dieta moderada em sódio, açúcar e álcool.

Não faça dieta sem antes consultar o médico.

Se você está acima do peso, mesmo uma perda pequena do peso pode ajudar na resistência à insulina. O Programa de Prevenção da Diabetes, um estudo realizado nos Estados Unidos, o qual incluiu pessoas com resistência à insulina , revelou que pessoas que perderam 5% a 7% do total do peso do corpo, reduziram em quase 60% o risco de desenvolver diabetes tipo 2.

Essas pessoas conseguiram esse resultado, com mudanças no estilo de vida, isto é, alimentação saudável e mantendo atividades físicas ao menos 30 minutos por dia, todos os dias. E fizeram isso com caminhadas e outras atividades moderadas.

Mesmo atividades físicas realizadas em vários períodos que somam ao menos 30 minutos no final do dia, podem ser efetivas. Logo, não há desculpa para não se exercitar. Se você é uma pessoa inativa, comece aos poucos uma atividade, até atingir 30 minutos diários.

Se perder um pouco de peso e aumentar (ou começar) a praticar exercícios, você pode reduzir a resistência à insulina e diminuir as chances de desenvolver diabetes tipo 2."

Obs. Percebam que falamos a palavra "Duffin" no vídeo. O certo é MUFFIN. Eu e meu marido, inventamos a palavra Duffin, que é a junção de DELÍCIA+MUFFIN (adoramos neologismos).

Logo, um muffin delicioso vira um duffin no nosso vocabulário.


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Hospital de Princesas: Branca de Neve e os Sete Melanomas





Caramba, eu fui severa com a pobre da Branca de Neve. Escolhi para ela a principal causa de morte em dermatologia (três vezes maior do que as mortes de todas as outras neoplasias cutâneas agrupadas, segundo Azulay). E o que é pior: sem direito a "beijo de ressuscitação" do príncipe. As princesas que não recebem um diagnóstico precoce da doença, possuem um prognóstico mais sombrio devido a precocidade das metástases.

Por outro lado, se o tratamento for iniciado logo no início da doença, a sobrevida pode chegar até quase 100% dos casos. Daí a importância de visitar o seu médico periodicamente e também de fazer um auto-exame da pele em casa. Se perceber que alguma pintinha antiga resolveu "mudar de cara", corra para o consultório.

Agora vocês podem estar se perguntando: porque eu fui escolher justamente a coitada da Branca de Neve para ter essa doença terrível. Teria eu alguma coisa contra ela? Muito simples. A Branca de Neve é a princesa que possui o menor fototipo (descubra o seu na tabela acima). Gente, prestem atenção: a mulher é branca-como-a-neve, praticamente um bacalhau de coroa.

E pior: deu o azar de ter nascido numa época em que não existia protetor solar, nem roupas com proteção UV, barracas de praia, e mesmo se todas essas coisas existissem, a madrasta não compraria para ela.
Reparem na madrasta. Ela queria ficar jovem para sempre (nem ligava para a saúde, queria era permanecer linda). O que fazia então? Poções mágicas embelezadoras e vivia dentro do castelo, especulando com o espelho mágico. Ela não torrava a pele ao sol no bosque, como a Branca de Neve fazia. Não ficava cantando junto ao poço dos desejos exatamente ao meio-dia, sem usar nem um chapéuzinho. E quando ela saiu do castelo para fazer o delivery da maçã envenenada, procurou usar um capuz.

A madrasta poderia ter ficado quietinha, na dela, sem se queimar com o público ao mandar mandar matar a Branca de Neve, que com o tempo, ela ia sim se tornar mais jovem que a Branca de Neve. Existem pessoas com vinte anos, que se expuseram muito ao sol, que possuem a pele infinitamente pior do que uma pele de quarenta que pouco tomou sol na vida.

O melanoma ocorre em todas as raças. Todas. Mas é raro nos negros (embora possa acontecer, e é um diagnóstico bastante difícil). Na raça branca, ele é mais comum conforme aumenta o grau de brancura da pele.
Muita brancura -> pouca melanina, que absorve e dispersa os raios uv -> danificam o DNA dos queratinócitos (células da pele).

Pessoas de olhos claros também têm maiores chances de desenvolver a doença.
Em geral, ocorrem depois da puberdade.
Locais mais frequentes, segundo Chamg e col. (1998): pele (91,2%), olho (5,3% -sim, pode existir melanoma no olho), sítio ignorado (2,2% - bexiga, nervos periféricos, meninge, pulmões, parótidas e outros), mucosas (1,3% - que podem ser oral, anal, uretral ou vaginal).

Causas de melanoma: genética, exposição solar, pequenos e repetidos traumatismos no mesmo lugar, vírus, posição geográfica, idade de início à exposição solar (quanto mais precoce, maiores são as chances), doenças subjacentes de pele.

O melanoma pode surgir de uma pequena pintinha pré-existente (que pode começar a coçar, mudar de cor, aumentar de tamanho, ulcerar ou sangrar), ou pode aparecer "do nada", na pele aparentemente sã (que foi o caso da Branca de Neve, pois não me lembro de ter visto alguma pinta naquela pele).
Fiquem atentos a estes sinais na pele de vocês!!!

Aprenda o ABCDE do Melanoma:
A - Assimetria da lesão
B - Bordas irregulares e denteadas
C - cor variada
D - diâmetro maior do que 0,6 cm
E - elevação, aumento da espessura

O motivo maior desse post é alertar aos meus leitores que o câncer que mais mata na dermatologia pode ser evitado.
Isso mesmo, evitado, já que nós, príncipes e princesas do mundo real, não podemos contar com a magia de um beijo de amor para nos livrar dessa enrascada.

A segunda imagem mostrada nesse post foi retirada da revista VEJA. É muito boa e ilustra bem como cada fototipo se apresenta na prática.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Hospital de Princesas: Cinderela e sua dermatite de contato

Percebam o que uma mente insone e insana consegue imaginar numa madrugada. Estava eu "fritando bolinho na cama", ou seja, me virando pra cá e pra lá, com a mente a mil por hora, quando decidi fazer uma série de posts relacionando as princesas da Disney com suas possíveis doenças dermatologicas.

Hoje vamos começar com uma das minhas prediletas, a Cindy, também conhecida como Cinderela.

A Cindy levava uma vida sossegada quando seu pai era vivo, não precisava passar horas com as mãos enxarcadas de detergente, lavando o chão de seu castelo.

Mas depois que seu pai morreu e sua madrasta assumiu as rédeas de sua vida, tudo mudou. Aquela criatura com as mãos tão delicadas, foi posta para trabalhar, e trabalhar pesado. lógico, sem perder a pose, conforme vocês podem conferir no vídeo abaixo. E também sem usar luvas, que teriam ajudado a evitar a formação da dermatite de contato por irritante primário, que vou explicar em seguida.

A dermatite de contato por irritante primário pode ser aguda ou crônica (como é o caso da Cindy) e se caracteriza pela exposição repetida da pele a ácidos ou bases. Com o tempo, essas substâncias rompem a barreira protetora da pele e provocam eritema, vesículas, dor e ardor nas áreas afetadas.

No caso dos produtos de limpeza domésticos, essas substâncias (ácidas ou básicas) são mais brandas, porem o contato diário acaba provocando a chatíssima dermatite das mãos.

Leia mais sobre isso aqui. Não confundir essa doença com a dermatite de contato alérgica.

Existem diversos tratamentos para isso, mas o principal é se afastar dessas substâncias irritantes. No caso da Cinderela, isso só poderia ser feito de duas maneiras:
1) Protegendo-se com luvas
2) Casando-se com um príncipe para voltar a ter uma vida de princesa (opção preferida por ela)

Outros tratamentos incluem o uso de corticóides tópicos, imunomoduladores, inibidores da calcineurina, e uma novidade que vi no congresso!!!!

Ainda não chegou ao Brasil, mas foi desenvolvido um novo retinóide oral chamado de "alitretinoína".

A alitretinoína é o ácido 9-cis-retinóico, ajuda a regular a queratinização da pele, porem com o benefício de haver uma mínima modificação na produção de sebo. Portanto, não resseca a pele (por outro lado, não terá muito valor para ser usado na acne e na rosácea). Efeitos colaterais incluem alterações leves dos hormônios tireoidianos e do colesterol.

Cinderela, vá fazer faxina lá em casa!

Pronto, falei!

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minhapele@ig.com.br, Rio de Janeiro, Brazil
Uma médica que ama dermatologia, medicina estética, e principalmente, ADORA o que faz. Um cirurgião plástico apaixonado pela profissão.

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